A Voz do Pastor...
Julho 2010
Nossa Arquidiocese vive intensamente, neste início de mês, as alegrias espirituais de um preciosíssimo dom recebido do Senhor Jesus: a Ordenação Sacerdotal de 05 novos presbíteros, ocorrida no dia 03 deste mês.
Em dias de tão espessas trevas lançadas pelo Maligno sobre a Santa Igreja, a celebração do Sacramento da Ordem, conferido a cinco jovens de nossa Arquidiocese, irradia uma forte luminosidade sobre os horizontes de nossa Igreja Particular. Uma luminosidade que vem carregada da certeza de que o Senhor Jesus, com sua Ressurreição, venceu definitivamente o Mal e afastou as trevas deste mesmo Mal, recuperando nossa dignidade de filhos e filhas de Deus.
Uma luminosidade, ainda, que vem com a manifestação divina da instituição do Sacerdócio cristão para pastorear, com Ele e n Ele, o Povo de Deus pelas estradas do Mundo em que vivemos.
O Concílio Vaticano II, no Decreto "Presbyterorum Ordinis",assim nos ensina: "Os Presbíteros do Novo Testamento, por vocação e pela sua ordenação, de certo modo são segregados no seio do Povo de Deus, não porém para se separarem, seja do Povo seja de qualquer homem, mas para se consagrarem totalmente à obra para a qual o Senhor os assume. Não poderiam ser ministros de Cristo, se não fossem testemunhas e dispenseiros de outra vida que não a terrena; mas nem sequer poderiam servir aos homens, caso se mantivessem alheios à sua existência e condições de vida. Seu próprio ministério exige a um título especial que não se conformem com este século. Ao mesmo tempo, no entanto, requer que neste século vivam entre os homens e como bons pastores conheçam suas ovelhas e procurem trazer também aquelas que não são deste aprisco, para que escutem a voz de Cristo e haja um só rebanho e um só Pastor."(PO.nº3).
Estas palavras ungidas dos Padres Conciliares destacam muito claramente para nós os traços característicos do perfil sacerdotal na Igreja de hoje: um homem profundamente mergulhado na intimidade com Deus que o mergulha também profundamente na partilha da vida cotidiana com seus irmãos e irmãs, as ovelhas que lhe foram confiadas pelo Pastor verdadeiro, Jesus Cristo.
Neste Ano Sacerdotal, há pouco concluído em Roma, o Papa Bento XVI assim se expressou na homilia da Missa de Encerramento em Roma: "O sacerdote não é simplesmente alguém que detém um ofício como aqueles de que toda a sociedade necessita... Ao contrário, o sacerdote faz o que nenhum ser humano pode fazer por sí mesmo: pronunciar em nome de Cristo a palavra de absolvição de nossos pecados, transformando, assim, a partir de Deus, a situação de nossa vida."
Relembra ainda o Santo Padre que ao repetir as palavras da Consagração sobre o pão e o vinho, transubstanciando-os no Corpo e no Sangue de Cristo, abrindo o mundo para Deus e unindo-o a Ele. Portanto, afirma o Papa, "o sacerdócio não é um simples ofício, mas sim um sacramento". Crer nisto, Irmãos e Irmãs, é fundamental para todos nós e para o testemunho de Cristo que devemos dar no meio do Mundo moderno em que vivemos, este Mundo que, com tão diabólica orquestração, vem pretendendo, a partir dos erros de alguns sacerdotes, desacreditar a própria Igreja Católica perante a Sociedade moderna.
Como ainda lembrou Bento XVI na citada homilia do Encerramento do Ano Sacerdotal, era de se esperar uma agressão dura do "inimigo" ao ver brilhar novamente o sacerdócio; ele bem que gostaria de destruir este sacerdócio, para assim retirar Deus do mundo.
Estas considerações, e muitas outras, feitas pelo Santo Padre nos últimos meses, são um forte convite a uma profunda renovação da vida sacerdotal na Igreja, afim de que bons pastores, no seguimento do Bom e Verdadeiro Pastor, Jesus Cristo, irradiem, por uma vida santa e ungida, toda a força da graça salvífica do Senhor para seu Povo. Todos nós, Bispos e Padres, bem como Diáconos, devemos sinalizar, com ardor e ousadia, a força e a alegria da santidade de vida que o Senhor nos propõe. E claro está que a fonte deste ardor e desta ousadia, pelo querer mesmo do próprio Senhor, está no coração do mistério de Amor que é a Santíssima Eucaristia, cotidianamente celebrada e intensamente vivida pelos sacerdotes e Bispos, no seio da Igreja. Unicamente homens profundamente eucarísticos serão capazes, apesar de suas próprias fragilidades humanas, de irradiar a Esperança "que não decepciona" e ajudar seus irmãos e irmãs a abrir o coração para que nele seja o amor de Deus derramado pelo Espírito Santo que a todos o Pai envia.
Ajude-nos a Santa Mãe de Deus, a Virgem Maria, Rainha e Mãe dos Sacerdotes, a vivermos no meio do Mundo e sem ser do Mundo, este pastoreio que o Senhor nos confiou, sem mérito algum de nossa parte, mas por sua santa Vontade!
+ D. Fr. Alano Maria Pena OP
Arcebispo Metropolitano de Niterói

